março 26th, 2008
Vulcão de água
Trio de surfistas brasileiros enfrenta no Havaí as maiores e mais temidas ondas do mundo.

A explosão de jaws em Maui: volume de água igual
ao de cinco piscinas olímpicas
A Ilha de Maui, no Havaí, é o paraíso dos surfistas malucos por ondas gigantes. Ali se formam os maiores e mais perigosos vagalhões do mundo. Passam dos 15 metros, a altura de um prédio de cinco andares, e despejam 10 milhões de litros de água, volume equivalente ao de cinco piscinas olímpicas. Os nativos batizaram as ondulações de jaws (mandíbulas, em inglês). Parecem mesmo enormes bocas de espuma engolindo tudo que encontram pela frente. Cair da prancha em jaws, ou tomar um “caldo”, como dizem os praticantes do esporte, significa afundar na água à força e ter de segurar o fôlego por mais de um minuto até voltar à tona. Há quatro anos, o local começou a ser explorado por surfistas experimentados da região. Apenas pessoas muito bem preparadas têm permissão para surfar em Maui e há sempre uma frota de jet-skis dando cobertura aos surfistas. Só por isso as ondas mais bravas do mundo nunca causaram nenhum acidente fatal. Há duas semanas, um grupo de brasileiros teve acesso à barreira líquida pela primeira vez. Todos sobreviveram. “Foi como manobrar a prancha em frente de uma manada de búfalos”, definiu Romeu Bruno Filho, 34 anos.
Romeu e seu companheiro de aventura Alfredo Villas-Boas, 32 anos, moram no Havaí, onde trabalham como salva-vidas. O terceiro era João Pedro Simonsen, 32 anos, surfista de São Paulo. Os três passaram por uma preparação que incluía mergulhos no mar carregando pedras de 20 quilos. O objetivo era ganhar fôlego para escapar com vida de um “caldo”. Para chegar ao ponto de pegar as ondas, foram rebocados por jet-skis. Utilizavam pranchas mais curtas, estreitas e pesadas do que as convencionais. Com velocidade de até 60 quilômetros por hora, subiram, desceram e deslizaram em meio ao turbilhão. “Cheguei a cair da prancha; por sorte, era uma onda pequena para os padrões locais”, conta João Simonsen. As ondas de Maui se formam em tempestades no alto-mar do Pacífico Norte, nas costas do Japão, a milhares de quilômetros do Havaí. Empurradas pelo vento e sem uma massa de terra para barrar seu caminho, elas arrebentam na ilha com violência. Como o mar é raso na região, a propagação das ondas para baixo tromba com seu fundo. Assim, toda a sua energia é catapultada para cima, como num vulcão aquático.






abril 11th, 2008
Karpacz Says :
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